A Porto registrou um lucro líquido recorrente de R$ 89,4 milhões no segundo trimestre de 2022 (2T22), desempenho 76,4% inferior ao registrado em igual etapa de 2021, informou a seguradora.

O resultado mantém a forte queda que a companhia anotou nos primeiros três meses do ano, quando o lucro líquido teve retração de 40%.

Segundo a empresa, o impacto no resultado do 2T22 da Porto Seguro foi causado principalmente pelo aumento de sinistralidades, inadimplências em operações de crédito e custos de investimentos. A empresa aponta uma alta de 66% nos gastos com sinistros de automóveis, motivadas pelo aumento nos custos de indenização e reparo dos segurados.

Para tentar contornar esses prejuízos repetidos, a empresa diz que tem apostado em outros modelos de negócios, como o Porto Seguro Bank, uma conta digital gratuita. Esse modelo, inclusive, levou aos cofres da companhia um lucro líquido na faixa de R$ 74 milhões, mas que foi absorvido pelos proventos negativos de outras linhas da holding.

O resultado financeiro caiu 48,9% para R$ 89 milhões no trimestre, recuo de o que representa uma rentabilidade das aplicações financeiras (ex-previdência) equivalente a 63% do CDI, impactado principalmente pelo desempenho das alocações em renda variável.

O retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE, na sigla em inglês) da Porto foi de 3,8% no trimestre, queda de 13,3 pontos porcentuais em relação ao mesmo período do ano passado.

A receita total foi de R$ 6,7 bilhões entre abril e junho de 2022, uma performance 36% superior à de janeiro a março. O resultado também é superior aos R$ 4,9 bilhões acumulados nos mesmos meses de 2021.

“No segundo trimestre de 2022, apresentamos um crescimento expressivo nas receitas da Porto Seguro, impulsionado pela adequação de preços no seguro Auto e pelo aumento do número de negócios nos seguros Patrimoniais e de Vida com incremento de 71 mil itens e 796 mil vidas seguradas, respectivamente”, destaca a companhia. “A expansão que temos alcançado em nossa base de clientes de seguros está alinhada ao objetivo de sermos cada vez mais a seguradora mais presente na vida das pessoas”, acrescenta.

Segundo a Porto, “o aumento foi impulsionado pela elevação das vendas em produtos como o Empresarial, Vida, Saúde, Cartão de Crédito, Fiança Locatícia e Carro Fácil, alinhado à estratégia de diversificação dos negócios, além dos esforços que temos realizado para a recomposição das margens, principalmente no seguro Auto”.

No segmento de Serviços, a empresa teve um crescimento relevante de 80% nas receitas trimestrais do Carro Fácil e de 45% na Porto Faz e Reppara! (vs. 2T21).

Na Porto Seguros, o crescimento robusto de 32,1% nas receitas do trimestre (vs. 2T21) foi impulsionado principalmente pelo seguro de Auto, explicado por adequações de preços, e pelo seguro Empresarial, que incrementou em 14,8% o número de empresas seguradas com ampliação de 37,7% nos prêmios emitidos (vs. 2T21).

Na Porto Saúde, as receitas do trimestre aumentaram 46,2%, em razão da expansão de 51,0% nos prêmios do seguro Saúde (vs. 2T21), o que representa um crescimento recorde desde a abertura de capital, com aumento de mais de 100 mil vidas em comparação ao mesmo período do ano anterior, nos aproximando das 400 mil vidas seguradas. No semestre, a Porto Saúde ampliou suas receitas em 41,8% (vs. 1S21).

No Porto Seguro Bank, aumentamos as receitas em 32,5%, com ênfase para a expansão próxima de 40% nas Operações de Crédito, ainda que com cautela para enfrentar o cenário macroeconômico mais adverso, nível de incerteza do mercado e deterioração da capacidade de pagamento das famílias. Os produtos de Fiança Locatícia e Consórcio também apresentaram crescimento elevado no 2T22, com aumento acima de 20% em comparação ao mesmo período do ano anterior. A receita consolidada do Porto Seguro Bank aumentou 34,6% no primeiro semestre.

O Índice Combinado da Porto Seguros seguiu impactado no 2T22 (98,9%), explicado principalmente pela sinistralidade do seguro Auto. Contudo os ajustes efetuados na subscrição e precificação já começaram a surtir efeitos, com melhora desses indicadores em relação ao primeiro trimestre do ano. O Vida obteve uma melhora expressiva na sinistralidade trimestral, explicado pela redução do impacto do Covid-19. No semestre, o Índice Combinado da Porto Seguros atingiu 99,1%.

A sinistralidade total dos produtos patrimoniais e de transportes aumentou 7,6 p.p. no trimestre, decorrente principalmente do aumento de incêndios, impactando em maior parte o seguro Empresarial, além da inflação de custos em equipamentos eletroeletrônicos. Contudo, a sinistralidade apresentada permaneceu dentro dos patamares considerados adequados pela Companhia.

No 2T22, a sinistralidade do Auto consolidado atingiu 66,6%. A elevação em relação ao mesmo período anterior (+21,0 p.p. vs. 2T21) é explicada principalmente pelo aumento nos custos de indenização e reparos e pelos efeitos decorrentes da maior circulação de veículos.

A carteira de crédito total atingiu R$ 14,3 bilhões (+24,5% vs. 2T21), com aceleração positiva tanto na carteira de Cartão de Crédito quanto na carteira de Financiamentos.

A carteira de crédito administrado atingiu R$ 36,4 bilhões entre abril e junho deste ano, crescimento de 30,5% frente ao mesmo período do ano passado.

“No 2T22, os nossos resultados foram impactados principalmente pela sinistralidade do auto, inadimplência da operação de CDC, custos do funding e pelo resultado financeiro. Contudo, seguimos confiantes nas medidas que temos adotado para a recomposição das margens a níveis compatíveis com o histórico robusto de rentabilidade de nossos negócios e no potencial das iniciativas para acelerar a ampliação da nossa base de clientes”, apontou a companhia em seu release de resultados.

No Cartão de Crédito, a carteira atingiu R$ 11,5 bilhões ao final do 2T22, apresentando crescimento anual de 28,5% (vs. 2T21). Na operação de empréstimos e financiamentos, linhas que tiveram as maiores restrições de crédito, a carteira alcançou R$ 2,8 bilhões ao final do trimestre, sendo 82% em produtos com garantia. A carteira dobrou de tamanho nos últimos 3 anos, tendo crescido 10,0% no comparativo com ano anterior.

O Índice de Inadimplência acima de 90 dias está em 6,8%, um aumento de 2,9 p.p. em relação ao mesmo período do ano anterior e apresenta sinais de estabilização após ajustes nas políticas de concessão, privilegiando o crédito para clientes com relacionamento da Companhia e novos instrumentos de cobrança que elevou em 47%. a recuperação de clientes devedores em relação ao 1T22, movimentos efetuados considerando o cenário macroeconômico desafiador.

No caso do Cartão de Crédito, a inadimplência permanece abaixo dos níveis pré-pandemia, e na comparação com a última posição disponibilizada pelo Bacen (abril22) estamos 0,4p.p. inferior á média do mercado.

Os prêmios emitidos somaram R$ 4,5 bilhões no segundo trimestre de 2022, um crescimento de 32,1% na base anual.

As despesas administrativas somaram R$ 916,5 milhões no 2T22, um crescimento de 17,4% em relação ao mesmo período de 2021.

A inadimplência total foi de 6,8% no segundo trimestre de 2022, um avanço de 2,8 pontos percentuais (p.p.) sobre o segundo trimestre de 2021.

A companhia realizou investimentos (CAPEX) relevantes em projetos de inovação e transformação digital, tais como Auto 2.0, que simplifica o processo de cotação de seguros, o desenvolvimento do Super App, que já está operando com os produtos mais relevantes, além dos investimentos recorrentes em desenvolvimento de sistemas, aquisição de licenças de software e infraestrutura de hardware, como servidores e notebooks, destinados ao aprimoramento e controle de processos de renovação tecnológica da Companhia.

Os resultados da Porto (BOV:PSSA3) referentes suas operações do segundo trimestre de 2022 foram divulgados no dia 05/08/2022. Confira o Press Release completo!

Teleconferência

Na visão do CEO da holding, Roberto Santos, durante a teleconferência de resultados com analistas, “o pior já passou”.

Conforme o CEO, a expectativa é de melhora gradual de resultados nos próximos períodos. “Já tomamos todas as ações necessárias para resolver as questões de sinistralidade e aumento de custos de reparo, bem como conter a alta da inadimplência [em operações de crédito].”

Houve um crescimento agregado de 37%, quando comparado ao mesmo trimestre de 2021 e de 29% ante a primeira metade do ano passado. “Mesmo com a adequação de preços no seguro auto, a frota segurada de automóveis demostrou resiliência com leve elevação”, ressaltou o CEO. “Também estamos vendo sinais de estabilização na inadimplência das operações de crédito”, acrescentou.

“Ainda estamos enfrentando um nível de sinistralidade muito alto”, afirmou Picanço. “A primeira metade do ano foi um momento difícil para o setor no país como um todo”, complementou.

Quanto à inadimplência, o CEO da Porto Seguro Bank, Marcos Loução, afirmou enxergar uma tendência de estabilização. “No índice de cobertura [de devedores duvidosos] estamos agora nos patamares de antes da pandemia, de 2019”, disse. “Em relação aos índices de atrasos das safras novas, acreditamos que vai se manter e não deve reduzir esse índice [no próximo trimestre].”

* Com informações da ADVFN, RI das empresas, Valor, Infomoney, Estadão, Reuters

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